Apesar de ter sido a cidade brasileira com mais de 100 mil habitantes que mais cresceu nos últimos anos, município continua com dificuldades em manter desenvolvimento dentro de suas fronteiras; candidato local a vaga na Alego sugere políticas para reverter tendência histórica
Senador Canedo foi um dos municípios cuja população mais cresceu no Brasil de acordo com o último Censo (2022): foi de de 84 mil habitantes em 2010 para 150 mil em 2022. Apesar desse crescimento, o município continua dentro da classificação de “cidade dormitório”.
De acordo com pesquisa de estudo de mobilidade popular da Região Metropolitana, realizada em 2019 e conduzida pelo Instituto de Estudos Socioambientais da Universidade Federal de Goiás (UFG), 48,6% dos trabalhadores ativos do município se deslocavam diariamente para realizar suas atividades laborais em outras cidades, com predomínio de Goiânia.
Alguns aspectos posteriores do desenvolvimento canedense apontam para a continuidade dessa tendência. O principal deles é a forma pela qual tem se dado o desenvolvimento de seu mercado imobiliário. De acordo com dados da Associação de Desenvolvedores Urbanos de Goiás (ADU-GO), a comercialização de loteamentos em Senador Canedo superou Goiânia em Valor Geral de Vendas (VGV).
O formato dessa expansão é que fornece a pista para a continuidade do status de cidade dormitório. Boa parte do aumento explosivo do número de domicílios na cidade – mais de 60 mil novas unidades entre 2022 e 2025 – ocorreu ao longo das rodovias de ligação com a Região Metropolitana de Goiânia e não nas áreas mais concentradas da mancha urbana do município.
Para o empresário local Samuel Carvalho, o município deve se preparar para promover uma mudança desse perfil com urgência. A principal causa é a reforma tributária. Segundo o novo sistema, a lógica de arrecadação com o novo sistema de cobrança de impostos vai favorecer os municípios que abrigarem maior aporte de consumo de bens e serviços, porque as cidades de destino das práticas de consumo é que vão receber os recursos orçamentários provenientes do novo tributo de incidência tanto estadual quanto municipal: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
“A cidade que não tiver um mercado amplo, com uma população que permanece dentro da sua mancha urbana consumindo ao longo do dia e aos finais de semana, vai perder dezenas de milhões em recursos. É menos dinheiro para as escolas, hospitais, transporte escolar. Será um desastre para as cidades dormitório”, analisa Carvalho, que é candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) pelo Republicanos.
Nesse sentido, o postulante propõe uma série de medidas. Entre elas a propositura, na Alego, de marcos legais de incentivos fiscais para correção de desequilíbrios de alocação de empresas. “O objetivo será o de atrair empresas de comércio e serviços de médio e grande porte para Senador Canedo”, afirma Samuel.
Logística
Outra medida proposta pelo candidato e empresário seria aproveitar a proximidade do município de alguns entroncamentos da Ferrovia Norte-Sul para a criação de um hub logístico com vistas à distribuição de mercadorias. “Essas iniciativas são intensivas em um tipo de prestação de serviços que pode ser ofertado por pequenas e médias empresas que precisam se instalar na cidade. Essas empresas são as que mais geram empregos”, observa.
Outra frente sugerida por Carvalho que pode encontrar iniciativas de relevância na Alego em futuro próximo ocorre no setor de educação profissional, nos ramos de tecnologia e inovação. “A partir de pressão parlamentar, podemos reivindicar a vinda de um polo de inovação da UEG (Universidade Estadual de Goiás), com cursos nas áreas de Engenharia, Logística e Tecnologia”, salienta.
Para Samuel, é vital que Senador Canedo eleja uma bancada mínima de parlamentares em nível estadual, para a viabilização de um programa de intenções políticas, acima de tudo no campo da economia, cujo objetivo seja garantir um desenvolvimento sustentável que diminua o “efeito carona” ao longo das rodovias da Região Metropolitana. “Senador Canedo já é uma realidade de sucesso em Goiás. Neste momento, ela precisa se tornar uma realidade de sucesso para ela mesma. Para isso, precisa superar essa condição de cidade dormitório”, conclui.